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Real digital deve baratear transações financeiras




Emitir moeda virtual é um caminho trilhado pelos Bancos Centrais de todo o mundo. No Brasil, não é diferente: programada para estar disponível aos consumidores finais até dezembro de 2024, a versão digital do Real, que deve transformar o sistema bancário e mudar a forma como lidamos com o dinheiro, está em fase de testes pelas instituições financeiras e ainda traz dúvidas em relação às suas principais aplicações ou possibilidades.

Trata-se de uma versão nacional da Moeda Digital de Banco Central (CBDC, em inglês). Como qualquer criptomoeda, é baseada na tecnologia blockchain, mas não pode ser confundida com outras, como o Bitcoin ou o Ethereum — no caso, o Real Digital terá as mesmas características de moeda soberana emitida pelo Banco Central do Brasil. A movimentação deve seguir os mesmos parâmetros da moeda convencional e terá contrapartida sempre no mesmo valor, ou seja, um real digital se mantém com valor de R$ 1 no papel-moeda, que hoje representa cerca de 3% das operações no país.

Para Antonio Hoffert, belo-horizontino sócio da H3aven, provedora líder de soluções B2B em blockchain para a América Latina, a implementação da versão digital traz novas oportunidades, nem todas já mapeadas. “O dinheiro vai se tornar programável, e isso abre uma série de possibilidades. A primeira é que novas modalidades de pagamento devem surgir. E a aplicação específica em conta-garantia é uma das mais interessantes”, explica.

Conhecida como Escrow, a tecnologia que garante a segurança das partes envolvidas nos negócios, assegurando transações financeiras protegidas, poderá sair bem mais em conta para as empresas. “Negócios que envolvem importação e exportação, por exemplo, têm um problema como aquele do ovo e da galinha: o cliente não quer pagar antes de receber o produto e o fornecedor não quer enviar o produto antes de receber o dinheiro”, conta Hoffert.

Até agora, a solução encontrada é utilizar uma terceira parte de confiança, geralmente um banco ou instituição financeira, que cria uma carta de crédito para garantir que o fornecedor, caso envie o produto de acordo com as especificações, receba o dinheiro que o cliente depositou previamente nessa mesma instituição financeira. O problema é a taxa cobrada por esses bancos, que geralmente fica em 2% do montante total, o que encarece e muito todo o processo.

É nesse contexto que entra a aplicação dos contratos inteligentes. “É como se fosse um cofre com três chaves, e você precisa de duas chaves para abri-lo. Essas três chaves são distribuídas para três participantes: o cliente, o fornecedor e um árbitro, escolhido por ambas as partes, que pode até ser um banco — a diferença é que o dinheiro não fica custodiado com a instituição financeira”, explica o especialista. “Quando você remove as barreiras de entrada para esse serviço de terceiro de confiança, o preço fica menor. Esses 2% podem se transformar em 0,5% ou 0,1%. É uma mudança muito grande”.

Open Finance e Pix

Campos Neto, presidente do Banco Central, já declarou que pretende deixar seu mandato ainda no final de 2023 com algumas das principais metas da Agenda BC executadas, como a integração do Open Finance e Pix com o Real Digital.

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